sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Infertilidade masculina e adoção de sêmen na tv



Falar sobre adoção de sêmen em rede nacional é muito importante, pois o tema, assim como muitos outros no campo da medicina reprodutiva, é cercado de mitos

A partir do dia 22 de agosto, com a estreia de “Fina Estampa” na tela da Rede Globo, os temas infertilidade masculina e ovodoação estarão em evidência. Na trama, que substituirá "Insensato Coração", Paulo (Dan Stulbach) é estéril, o que impede a mulher, Esther (Julia Lemmertz), de realizar o sonho de ser mãe. Mas o encontro com a médica Danielle Fraser (Renata Sorrah), “especialista em fertilidade”, irá mudar a vida do casal. Segundo o autor da novela, Aguinaldo Silva, seu objetivo é trazer à tona a discussão sobre a paternidade das crianças geradas a partir de sêmen ou óvulos doados por terceiros.

Infertilidade masculina

Para o ginecologista Joji Ueno, diretor da Clínica GERA, discutir a infertilidade masculina é muito relevante. “Com mais de vinte anos de experiência clínica, percebo que o tema infertilidade é muito relacionado ao universo feminino. ‘É coisa de mulher’, diz o senso comum. Mas isto não é verdade. A dor vivenciada pelo homem com dificuldades para ter um filho é muito pouco abordada e, até mesmo, pouco reconhecida pela sociedade. Os homens também sonham com seus ‘bebês imaginários’ e com coisas que poderiam fazer ou ensinar a eles, mas não externam estes desejos com facilidade”, defende o médico.

Tanto homens, quanto mulheres contribuem com cerca de 30-40% das causas de infertilidade, sendo que os 20% restantes, as alterações ocorrem no casal. “Portanto, pode-se dizer que os problemas masculinos estão presentes em aproximadamente 50% dos casais. Por isto, é importante a investigação de ambos antes de instituir-se a terapêutica, pois o custo benefício é bem melhor quando é realizado o tratamento específico da causa da infertilidade”, afirma Joji Ueno, que também dirige o Instituto de Ensino e Pesquisa em Medicina Reprodutiva de São Paulo.

Desta forma, é importante a história clínica do homem e quando há grande alteração na análise seminal é importante uma avaliação genética. “Erroneamente, a importância da avaliação do homem e dos tratamentos andrológicos tem sido negligenciada graças à aplicação da tecnologia ICSI (Injeção Introcitoplasmática de Espermatozóides), que consegue a gestação sem a investigação dos fatores determinantes da infertilidade masculina, que pode ser decorrente de doenças graves, como o câncer de testículo, cuja incidência é 100 vezes maior, dentre os homens inférteis que a população normal”, diz o médico, que é Doutor em Ginecologia pela Faculdade de Medicina da USP.

“É essencial na investigação do homem infértil, do ponto de vista laboratorial, duas análises seminais, embora apenas os resultados da análise seminal não possam determinar anomalias funcionais dos espermatozóides. Por isso é importante ressaltar que a realização da análise seminal deve ser feita em clínicas especializadas, que utilizam parâmetros atuais de verificação de fertilidade”, explica Joji Ueno.

A seguir, o diretor da Clínica GERA enumera as causas mais comuns de infertilidade masculina:

· Alterações na produção na qualidade e na quantidade dos espermatozóides:

1. azoospermia (ausência de espermatozóides no ejaculado);

2. astenospermia (pouca mobilidade);

3. oligospermia (poucos espermatozóides);

4. teratospermia (formato inadequado ).

· Varicocele: varizes no saco escrotal;
· Obstrução no canal condutor dos espermatozóides ( epidídimo ): causada por infecções ou até alterações congênitas;
· Doenças infecciosas: DST, gonorréia e sífilis, caxumba, apresentada durante a puberdade podendo causar orquite (inflamação dos testículos, destruindo a produção de espermatozóides) ;
· Doenças endocrinológicas;
· Distúrbios imunológicos;
· Consumo abusivo: de bebidas alcoólicas e o uso de drogas como cocaína e maconha. Uso crônico de medicamentos hipertensivos, antidepressivos, antiulcerosos, que interferem na produção dos espermatozóides.

Adoção de sêmen

Ao que tudo indica, depois de diagnosticada a causa para a infertilidade do personagem de Dan Stulbach, o casal irá optar pela adoção de sêmen para realizar o sonho de ter um filho. “Falar sobre a adoção de sêmen e óvulos em rede nacional é muito importante, pois o tema, assim como muitos outros, no campo da medicina reprodutiva, é cercado de mitos”, defende o ginecologista Joji Ueno.
A vivência da infertilidade pelo homem pode se tornar um processo extremamente frustrante, uma vez que ainda vivemos em uma cultura machista, onde sinal de “ser homem” é ser um “bom reprodutor”. “A incapacidade de engravidar uma mulher pode vir associada mentalmente à falta de masculinidade ou virilidade. Em casos onde a qualidade do sêmen é muito baixa, percebemos que o nível de angústia masculina é ainda mais intenso, principalmente, quando a adoção de sêmen de outro homem é indicada pelo médico como a opção mais viável para a realização do sonho de ter um filho”, conta o médico.

“É fato que a maioria dos casais que buscam por tratamentos de reprodução assistida espera sair desse processo com um filho geneticamente relacionado a eles. No entanto, em alguns casos isso não é possível”, informa o diretor da Clínica GERA.

Joji Ueno destaca que receios a respeito da possibilidade de doenças genéticas e traços patológicos de caráter podem surgir em meio ao processo de adoção de sêmen, sendo necessário o esclarecimento de que algumas doenças, predisposições temperamentais e traços físicos podem ser herdados, no entanto, valores, crenças, formas de pensar e agir são adquiridos e aprendidos na convivência familiar.

O ginecologista explica que a adoção de sêmen é indicada em diversas situações:

· Casais cujos homens não têm nenhuma produção de espermatozóides;

· Os que optam por não correr riscos de transmitir doenças hereditárias à prole - pelo fato do marido apresentar algum tipo de alteração genética;

· Homens e mulheres que esgotaram seus recursos - financeiros e emocionais - em diversas tentativas frustradas de fertilização in vitro;

· Mulheres que desejam uma “produção independente” - casos permitidos sob consulta ao Conselho Federal de Medicina (CFM), que analisa as condições psicológicas e sociais da solicitante.

No Brasil não há lei que regulamente a doação de sêmen: apenas a Resolução Nº 1.957/2010 do Conselho Federal de Medicina (CFM), substituta da Resolução CFM Nº 1.358/1992, revogada após 18 anos, normatiza os procedimentos no País. Em casos de problemas e contestações, a Justiça, invariavelmente, segue a determinação do CFM, que preconiza que o comércio de gametas é proibido e as doações não podem ser remuneradas.

O anonimato é a premissa básica para a doação de sêmen. Os doadores não podem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa - e isso vem garantindo o sucesso do sistema. As informações sobre um doador só poderão ser fornecidas por motivação médica e, mesmo assim, exclusivamente para médicos, resguardando-se sua identidade.

“Uma grande preocupação entre os casais que optam pela adoção de sêmen é sobre a convivência futura entre filhos biológicos de um mesmo doador, que embora improvável, a ponto de situar-se nos limites do imponderável, é possível. Por isso, o CFM orienta clínicas e bancos de sêmen a fazerem um acompanhamento rigoroso de forma a evitar que um mesmo doador tenha produzido mais do que duas gestações de sexos diferentes em uma área de um milhão de habitantes”, explica Joji Ueno.

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