quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Opinião

QUANDO A GENTE PENSA QUE JA VIU DE TUDO...




O que está acontecendo com a Polícia Civil na cidade de Imperatriz é algo jamais visto por esta criatura com mais de 30 (trinta) anos nessa profissão árdua, sofrida e de difícil compreensão por parte das pessoas que não a conhecem pelas entranhas.

Somos ignorados, mal compreendidos às vezes, sofremos preconceitos, mais continuamos nossa luta, com dignidade e de cabeça erguida em defesa da sociedade, que nos cobra e a quem devemos prestar contas dos nossos serviços que nem sempre atingem seus objetivos, devido a falta de estrutura que deveria ser dada pelo governo que insiste em negligenciar com um dos direitos básicos do cidadão, assegurado pela Constituição Federal, quando deixa de equipar as Delegacias de Polícia com prédios decentes, salas adequadas, equipamento de ponta para o bom andamento das investigações e principalmente, material humano qualificado e em quantidade suficiente.

No final da semana que passou, o Delegado Geral da Polícia Civil do Estado do Maranhão esteve em nossa cidade, segundo informações, para intermediar um suposto desentendimento entre os profissionais da imprensa que cobrem os “fatos” policiais, aquelas conduções de pessoas feitas por parte da Polícia Militar até o Plantão Central.

Segundo queixumes dos “jornalistas”, os Delegados de Polícia estavam lhes impedindo de “trabalhar”, chegando a dizer que seria “abuso de autoridade contra a imprensa”, quando os inviabilizavam de fazer entrevistas com os conduzidos e os condutores (PMs) na Permanência do Plantão Central, diga-se de passagem, esse local é de uso exclusivo para trabalho dos policiais plantonistas atenderem ao público e fazerem a recepção desses conduzidos das mãos dos policiais militares e apresentá-los ao Delegado.

E como forma de pressionar, os repórteres passaram a depreciar o trabalho da Polícia Civil, enaltecendo o trabalho da Polícia Militar, jogando a opinião pública de encontro com o trabalho da PC, chegando um dos repórteres a dizer que iria passar a “denunciar” os roubos e furtos de motocicletas, homicídios e outros crimes não elucidados pela Polícia Civil, esquecendo-se esse repórter que os crimes que ainda não foram evidenciados não foi por conta da falta de empenho dos policiais e sim pela falta de estrutura e investimento do governo, esse mesmo governo que gasta milhões em propaganda veiculadas nessas mesmas emissoras, enquanto o social agoniza por melhor aparelhamento.

E a solução para o impasse? A grande sacada! Foi doar, ceder, entregar ou outro termo de gênero uma sala no prédio da Delegacia Regional de Segurança Pública, ao lado do PC, para que ali os repórteres possam fazer suas entrevistas, comentários e filmagens, enquanto os policiais militares preenchem um Boletim de Ocorrência, e só depois, somente depois, quando o conduzido já teve sua imagem e seus problemas capturados pelas lentes e microfones, para serem exibidos exaustivamente no dia seguinte, geralmente pela manhã (cedo), que ele é conduzido até a presença da Autoridade Policial (Delegado Plantonista), para que esta tome as providências, numa demonstração total desrespeito, não só aos policiais civis que estão naquele plantão, mais a dignidade do ser humano que está sob constrangimento de ser conduzido até uma Delegacia de Polícia, as vezes, sem ter cometido nenhum delito e está totalmente acuado por câmeras e microfones, com repórteres sensacionalistas lhe bombardeando com perguntas de acordo com a resposta que querem ouvir e passar aos seus telespectadores.

O que nos deixa indignado, revoltado e nos corrói internamente é ver conviver ao lado de pessoas que achincalharam, denegriram a imagem e menosprezaram a Instituição Polícia Civil e são essas mesmas pessoas que sempre tiraram proveito dela, inclusive e principalmente proveito político, já que na legislatura atual da câmara municipal existem dois vereadores que faziam, um deles ainda faz programa com matéria policial, utilizando-se da desgraça das pessoas e quantos outros já passaram pela Casa Legislativa, não permaneceram em função de terem suas incompetências e inoperâncias ali explicitadas e avaliadas pelos eleitores no pleito seguinte.

E aqueles que têm ou ao menos tinham o dever de zelar pela imagem dessa Instituição feita por homens honrados, não o fazem, talvez por medo dessa mesma impressa que apenas tira proveito de situações, não só daqueles humildes, desconhecedores e desprovidos dos seus direitos, mais também daqueles que se acovardam defendendo apenas seus interesses políticos partidários.

Talvez por não terem qualquer identificação ou vínculo com ela, não conhecerem sua história, seu árduo caminho percorrido, estão por que estão, são passageiros, apadrinhados de políticos e de governos, por isso a resposta não vem à altura, está sempre agarrada ao “jeitinho”.

É legal o cidadão ser filmado como se marginal fosse, só porque está sendo apresentado numa Delegacia de Polícia? E o princípio da inocência? É legal repórteres invadirem o espaço que seria dos policiais e pessoas que estariam ali para serem atendidas? Comete alguma ilegalidade o policial (Delegado, Investigador ou Escrivão) que fecha uma porta (permanência com aparelho de ar condicionado), solicita que esses mesmos repórteres possam aguardar e possam fazer o “seu trabalho” caso as partes envolvidas permitam? Comete “abuso de autoridade contra a imprensa” o Delegado que deixa de expor a face ou interrogatório de uma pessoa que cometeu um delito e apresentou-se posteriormente, legalmente acompanhada de advogado? São esses questionamentos que deveriam ser explicitados por parte dos homens que fazem a cúpula da PC, a esses “profissionais” e que infelizmente, foram deixados de lado.

Foi melhor ceder, dar a eles a sangue da Polícia Civil, assim, politicamente, todos serão “felizes para sempre”. Porém senhores, o poder é passageiro, as instituições ficam e certamente, a Polícia Civil na Região Tocantina vai ficar com essa mácula de um dia ter se curvado diante da pressão de pessoas totalmente descompromissadas com interesse público, preocupadas apenas com suas individualidades, seus picos de audiência e seus dividendos políticos, diria que este é o principal, tanto de um lado quanto do outro.

Sou Escrivão da Polícia Civil do Estado do Maranhão há alguns anos, porém, nunca tinha visto algo semelhante! Obrigado.

José Antonio PINHEIRO Silva
Escrivão de Polícia Civil
Mat. 279059
 Comentário meu: Infelizmente, o Pinheiro saiu da linha ao atacar quem muitas das vezes ele precisou e sempre esteve ao lado especialmente nos momentos em que os Policiais Civis precisavam de apoio em seus movimentos. Não se pode generalizar, há bons jornalistas, assim como há bons policiais.


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