sexta-feira, 11 de novembro de 2011

40 ANOS SEM DORGIVAL PINHEIRO DE SOUZA

• Dorian Riker Teles de Menezes

"Nenhum grande homem vive em vão. A história do mundo não é senão a biografia dos grandes homens. (Thomas Carlyle)

Já passava das quatro horas da madrugada de uma noite aparentemente calma, quando bateram na porta e me chamaram para informar que haviam assassinado Dorgival. Acordei assustado e fiquei perplexo diante de tamanha brutalidade a que jamais estaria preparado para enfrentar. Amanhecia o dia 12.11.1971 quando cheguei ao lado do seu corpo – parecia irreal aquela cena dantesca - ver meu amigo sem vida.

Dorgival estava na plenitude de sua mocidade - tinha apenas 32 anos. Era um empresário bem-sucedido e também um líder político que já demonstrava pendores para vôos bem maiores. No momento era Vice-Prefeito, eleito juntamente com Renato Moreira, num pleito memorável.

Na noite anterior, uma quinta-feira, havíamos comemorado o aniversário de um colega do Banco do Brasil no Bar Guadalajara, localizado na esquina da Av. Getúlio Vargas, com a Rua Godofredo Viana. Saímos depois para o Bar Delícia, também situado na Av. Getúlio Vargas, esquina com a rua Piauí. Como o relógio já marcava 03 horas e 20 minutos, resolvemos pôr termo à longa conversa e ir para casa.

Ele saiu em sua C-10 branca, mas infelizmente não chegou em casa. No caminho foi interceptado por apenas uma pequena bala calibre 22 que o fulminou. Por ironia do destino, tombou na Trav. Bom Jesus, justamente a mesma artéria em que Renato Moreira foi morto, após 22 anos, embora em quadras diferentes.

A comoção que se abateu sobre a cidade foi pungente. O jovem líder detinha inigualável talento para atrair simpatias. Quem poderia pensar que sua vida iria findar-se daquela maneira? Na opulência de sua juventude, estando situado entre os empresários de então como um de seus expoentes, chegou a ocupar a Presidência da Associação Comercial e de outras entidades.

Exatamente no mês anterior havia feito uma viagem a São Luis, onde visitou personalidades políticas e empresariais, despertando o interesse das lideranças estaduais para aquele homem que dava evidentes demonstrações de seu interesse na prosperidade sua e de seu povo, elevando o nome de Imperatriz.

Em seu retorno comemorou seu aniversário no dia 09 de novembro com um lauto churrasco, aberto ao público, celebrando com todos as conquistas que havia feito. Lembro-me bem daquele dia feliz. Não se poderia sopitar que sua existência iria ser marcada pela tragédia abominável, ao ser abatido apenas dois dias depois.

O bandido que o vitimou chegou a ser preso, entretanto foi-lhe concedido habeas corpus e ele fugiu para lugar desconhecido. O juiz da comarca expediu precatória itinerante, mas nunca se localizou o autor do disparo, nem se soube a causa exata que o motivou a matar.

Eu tinha 26 anos de idade. Estava em Imperatriz desde 1965 e já me acostumara a ver nesse jovem líder qualidades que o distinguiam dos demais. Pertencemos ao Rotary e à Loja Firmeza e Humanidade Imperatrizense, juntamente com outros amigos, dentre eles o Dr. Carlos Gomes de Amorim e Ubirajara Parreira, além de Renato Moreira e tantos outros.

Ainda chocado com o ocorrido, fui a São Luis de teco-teco, no mesmo dia e transportei um oficial da PM para conduzir o inquérito, mas não tivemos a exata elucidação dos fatos que envolveram esse bárbaro crime. Como sempre muita coisa ficou envolta em mistério.

Em 1969, quando eu presidia o Rotary Club, Dorgival soube que o Almirante Augusto Hamann Rademaker Grünewald (Vice-Presidente da República de 30.10.1969 a 15.03.1974) estava pernoitando na cidade, hospedado na Rodobrás. Foi buscar-me por volta das sete horas da noite para visitá-lo. Lá chegando fomos bem recebidos. Tratava-se de um homem de estatura elevada. Entregamos-lhe uma flâmula do Rotary Club como singela homenagem e Dorgival o saudou com a seguinte expressão: “Vossa excelência é Vice-Presidente da República e em sou o Vice-Prefeito, portanto temos algo em comum. Ambos somos vices.” O Almirante riu amistosamente e agradeceu.

Assim era Dorgival. Espontâneo, objetivo, detentor de uma personalidade dinâmica, devotando sua vida para marcar o seu tempo. Sua vida foi ceifada, mas seu legado permanece. Não é por acaso que um dos mais destacados colégios de Imperatriz ostenta seu nome, além de nomear uma das mais importantes ruas. Era piauiense de nascimento, contudo se considerava imperatrizense de coração.

• Advogado, ex-bancário, ex-Deputado e ex-inteventor de Imperatriz.

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