quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sono de má qualidade triplica o risco de fibromialgia em mulheres

Mulheres atormentadas por problemas de sono têm três vezes mais chances de desenvolver a doença

Quanto mais vezes uma mulher experimenta a insônia e outros problemas de sono, mais provavelmente ela poderá desenvolver fibromialgia, 10 anos mais tarde. A descoberta é de um estudo norueguês, o maior até agora realizado sobre o tema.

O risco de desenvolver a doença aumenta com a gravidade dos problemas de sono. Esta associação é mais forte entre mulheres de meia-idade e idosas do que entre mulheres mais jovens. Os resultados deste estudo prospectivo - Sleep Problems and Risk of Fibromyalgia: Longitudinal Data from the Norwegian HUNT Study - com base em 10 anos de análise de dados, aparecem no Arthritis & Rheumatism, jornal publicado pelo Colégio Americano de Reumatologia.

Com base em pesquisas internacionais, a incidência da fibromialgia é de 1 a 5% na população em geral. Nos serviços de Clínica Médica, essa freqüência é em torno de 5 % e nos pacientes hospitalizados, 7.5%. Na Clínica Reumatológica, por sua vez, essa síndrome é detectada entre 14% dos atendimentos. No Brasil, alguns trabalhos falam a favor de uma prevalência em torno de 10% da população e salientam a influência de fatores sócio-econômicos.

A fibromialgia é mais freqüente no sexo feminino, que corresponde a 80% dos casos. Em média, a idade do seu início varia entre 29 e 37 anos, sendo a idade de seu diagnóstico entre 34 e 57 anos. Os sintomas de dor, fadiga e distúrbios do sono tendem a instalar-se lentamente na vida adulta, no entanto, 25% dos casos referem apresentar estes sintomas desde a infância.

“Pesquisas anteriores já haviam classificado a insônia, os despertares noturnos e o cansaço resultante de uma noite mal dormida como sintomas comuns dos pacientes com fibromialgia. O dado novo do estudo norueguês é a relação de maus hábitos de sono ‘como gatilho’ para o desenvolvimento desta síndrome dolorosa”, explica o reumatologista Sérgio Bontempi Lanzotti, que dirige o Iredo, Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares.

Segundo Lanzotti, "na prática clínica realmente percebemos uma relação entre a fibromialgia e a qualidade do sono. A dor pode afetar o sono de muitos pacientes, resultando em insônia, o que por sua vez agrava a dor física. É um círculo vicioso...”, explica.

A pesquisa norueguesa

Para fazer a pesquisa, Paul Mork e Tom Nilsen, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU), selecionaram 12.350 mulheres, com 20 anos ou mais, que não tinham fibromialgia, dores musculares, ósseas ou outras deficiências físicas, quando o estudo começou, em meados dos anos 1980. Quando os pesquisadores entrevistaram estas mulheres, novamente, em meados da década de 1990, cerca de 3% relatou que tinha desenvolvido fibromialgia.

No início do estudo, cerca de dois terços das mulheres disseram não ter dificuldades para dormir. Comparado com o grupo de 12.350 mulheres, aquelas que disseram que "às vezes" tinham dificuldades para adormecer ou apresentavam algum distúrbio do sono, durante o mês anterior, apresentavam o dobro do risco de desenvolver fibromialgia. O risco foi três vezes e meio maior entre aquelas que disseram que "frequentemente ou sempre" apresentavam problemas para dormir.

"Nem sempre entendemos os mecanismos biológicos da associação entre o sono e a dor, mas claramente há uma ligação importante entre esses dois elos. Médicos e pacientes devem estar cientes dessa conexão e devem conversar sobre os problemas do sono, visando diminuir a dor crônica do paciente”, defende o diretor do Iredo.

Os problemas do sono devem realmente ser levados a sério, pois "além de se constituírem num fator de risco para a fibromialgia, também estão associados com um risco maior de outras doenças crônicas, tais como doenças cardíacas. A detecção precoce e o tratamento adequado podem, portanto, reduzir o risco de muitas doenças crônicas no futuro", explica o reumatologista Sérgio Bontempi Lanzotti.

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO:

Márcia Wirth

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