quarta-feira, 25 de julho de 2012

Cuidado, levantamentos de dados e enquetes não são pesquisas. Se vai pesquisar faça a coisa certa



Faça pesquisa com o objetivo de conhecer e entender os sentimentos, valores e disposições dos eleitores


O candidato tem todo direito de exigir o acesso aos resultados e à metodologia adotada na pesquisa


Às vezes, empresas que, não tendo nem conhecimento nem experiência para levar a cabo pesquisas de padrão científico, divulgam seus resultados como se fossem de uma verdadeira pesquisa. 

Tenha pois, muito cuidado com as enquetes e levantamentos de opinião, realizados por pessoas ou empresas que, não tendo nem conhecimento nem experiência para levar a cabo pesquisas de padrão científico, divulgam seus resultados como se fossem de uma verdadeira pesquisa. Que tipo de cuidado você deve ter?
1. Não contratar uma enquete pensando que está contratando uma pesquisa. São coisas diferentes. É como “comprar gato por lebre”;
2. Nunca levar muito a sério seus resultados, nem quando o prejudicam, e menos ainda quando o favorecem;
3. Usar os recursos da lei eleitoral para defender-se de “falsas pesquisas” que não atendem as exigências legais, embora se anunciem como pesquisas científicas;
4. Se alguma enquete foi realizada no seu município, cujos resultados o desfavorecem, e estão prejudicando-o politicamente, porque está sendo divulgada por algum veículo de comunicação não como enquete ou mero levantamento, mas como pesquisa científica, você deve exigir acesso aos resultados e à metodologia adotada. Uma vez confirmado que os critérios científicos não foram seguidos, você pode denunciá-la à opinião pública, como não confiável, evitando assim que ela se torne “uma verdade” para os eleitores.
5. Atenção, antes de proceder judicialmente assessore-se com algum professor ou profissional da área de pesquisa. O pior que pode lhe acontecer é contestar como não confiável, do ponto de vista técnico, uma pesquisa que satisfaça os critérios legais. Nessa hipótese você vai conferir a ela uma validade indiscutível, e, à instituição que a fez, um atestado de competência e honestidade.
Não esqueça que a legislação exige que a pesquisa divulgada publicamente, seja depositada junto ao Tribunal ou Juiz Eleitoral, e fique acessível aos demais candidatos.
Ao contrário da enquete, a pesquisa científica, quando divulgada publicamente, e depositada junto à Justiça Eleitoral, precisa atender rigorosamente certos requisitos metodológicos, para ser aceita como tal.
Tais requisitos envolvem, no mínimo:

  • O número de entrevistas realizadas;
  • As datas em que as entrevistas foram feitas;
  • Informações sobre o desenho da amostra e sua margem de erro;
  • A menção explícita de que as entrevistas foram aplicadas a uma amostra representativa do eleitorado;
  • O sistema de coleta de dados praticado;
  • Os responsáveis técnicos pela sua realização;
  • A entidade que realizou a pesquisa está obrigada, até mesmo a guardar os questionários, e o desenho da amostra, para o caso em que a confiabilidade dos resultados venha a ser questionada.
Qual a pesquisa que lhe interessa então? Desde logo uma pesquisa feita de acordo com as regras da pesquisa científica:

  • com uma amostra aleatória da população a ser pesquisada;
  • extraída por procedimentos estatísticos probabilísticos;
  • que seja representativa da população alvo da pesquisa;
  • com questionário isento – isto é, que não induza a resposta do entrevistado, permitindo a ele livremente escolher entre as principais alternativas possíveis.
Estes são os requisitos técnicos fundamentais para definir o tipo de pesquisa que você vai contratar.
Mas qual o conteúdo desta pesquisa?
O que você pretende pesquisar?
Você não vai contratar uma pesquisa apenas para saber quais as intenções de voto dos eleitores, a menos que sua campanha possa fazer esta despesa, sem prejuízo das demais atividades. Este tipo de pesquisa de opinião costuma ser feita pelos veículos de comunicação, principalmente nas cidades de tamanho médio e grande.
Muito mais do que conhecer a intenção de voto do eleitor, você vai querer saber as razões daquela intenção, o seu grau de cristalização, qual a sua direção, na hipótese de mudança de intenção, e outras, neste grau de profundidade.
Sua pesquisa, então, deverá estar focada no objetivo de conhecer e entender os sentimentos, valores, disposições dos eleitores, assim como a opinião deles naqueles assuntos que serão centrais na campanha, e as razões pelas quais têm aquelas opiniões.
É o que se chama uma pesquisa de diagnóstico (benchmark poll), menos centrada na intenção de voto atual, e mais na tentativa de descobrir as razões do voto.
É óbvio que você vai incluir nela as perguntas sobre intenção de voto espontânea, estimulada, de rejeição e de segunda preferência. Seria um absurdo se você não o fizesse. Mas o que se quer é ir além desta informação, em busca dos fatores que influenciam e/ou determinam o voto dos eleitores.
Esta é a pesquisa mais importante da campanha. Se você tiver recursos para bancar apenas uma pesquisa, invista na realização da pesquisa diagnóstico. Assim você disporá de material confiável para elaborar sua estratégia eleitoral, e de comunicação.
Mas, muito cuidado.
Não peça à macieira que lhe dê uvas. Você tem que conceber um questionário que lhe traga informações confiáveis, que você não possui, sobre questões de importância para a decisão de voto. Não adianta, por exemplo, perguntar a uma amostra de eleitores questões do nível “protocolo de Kyoto”, ou sobre o que fazer para enfrentar a crise econômica. Embora a grande maioria não tenha a menor ideia do assunto, o entrevistado vai tentar responder, adivinhando entre as alternativas.

Uma pesquisa mal feita é perigosa, pois encaminha o candidato ao precipício, confiante que tem nas mãos o mapa seguro do caminho.
Não se esqueça que o entrevistado não quer aparecer como um ignorante para o entrevistador. Alem disso, há uma dimensão lúdica no “jogo” de perguntas e respostas entre o entrevistador e o entrevistado, que, se não for devidamente controlado, pode falsear totalmente a entrevista.
Essas observações valem também para mostrar como o erro possível de uma pesquisa não se reduz à já conhecida (e mal conhecida) “margem de erro”.
A margem de erro é conhecida e racionalmente aceita por quem encomenda a pesquisa. Trata-se do que chamamos de margem do erro “amostral”, um possível erro, decorrente do fato de que estamos trabalhando com uma “amostra”, isto é um número reduzido de indivíduos (uma fração da totalidade), cujas opiniões e sentimentos desejamos conhecer como sendo autênticas representações daquele todo.
Erro amostral é pois um erro estatístico (probabilisticamente calculado) mas de cuja possibilidade não nos podemos nunca nos evadir.
As observações sobre a elaboração do questionário, a dinâmica de sua aplicação aos entrevistados, a forma de identificação dos integrantes da amostra, sua correspondência com as quotas populacionais, até questões como cálculos, tabelas produzidas, digitação, impressão, e por fim a própria qualidade da análise, envolvem todos eles possibilidades de erros.
São os erros não amostrais. Tão comprometedores da realidade que se quer conhecer, e tão importantes como o erro amostral. O erro total da pesquisa é calculado então pela equação do triângulo retângulo:
“O erro total (hipotenusa) é igual à soma dos quadrados dos erros amostral e não amostral (catetos)”
Aqui se encontram as principais razões pelas quais uma pesquisa bem feita (questionário, amostra, aplicação e análise) é uma informação muito valiosa e decisiva mesmo. Também se encontra aqui as razões porque uma pesquisa mal feita é mais que dinheiro posto fora.
É encaminhar o contratante da pesquisa para o precipício, confiante que tem nas mãos o mapa seguro do caminho.
Por razões como essas, além da qualificação técnica para fazer a pesquisa, você precisa de alguém com conhecimento de política e experiência profissional que seja capaz de conceber um questionário que permita conhecer as razões das preferências dos eleitores, os sentimentos que predominam, e os fatores que definem o voto.
Se você não tiver algum auxiliar que entenda de pesquisa, para executar esta tarefa, você provavelmente precisará contratar algum profissional para faze-la. Você não precisa elaborar as perguntas, mas precisa ter muita clareza sobre o quer descobrir.(fonte Politica para Políticos)

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