quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Técnicos da Sagrima e Agerp são capacitados para orientar produtores



 Nesta sexta-feira (25), a partir das 8h, no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), consultores do Banco do Brasil e da Federação da Agricultura do Estado do Maranhão (Faema) capacitarão técnicos da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Sagrima) e da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural do Maranhão (Agerp) e de entidades privadas para elaboração de projetos de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), visando à aquisição de linhas de créditos especiais para a atividade.
O treinamento envolverá 30 técnicos dos dois órgãos governamentais e de entidades privadas e abordará as principais linhas de produção baseadas no Programa ABC a serem desenvolvidas no Maranhão. A ideia é que os técnicos capacitados sejam multiplicadores e orientem os produtores rurais interessados em investir na atividade.

Programa
O Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) é uma das prioridades do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e tem como objetivo promover a redução das emissões de gás carbono na atmosfera. Foi criado para cumprir o compromisso assumido pelo Brasil em acordo firmado durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-15), que aconteceu em 2009, em Copenhagen, na Dinamarca. Pelo acordo, o Brasil comprometeu-se a reduzir em 17% as emissões de gases que contribuem para o efeito estufa, até o ano de 2020.
Para incentivar as produções com baixa emissão de carbono, o Governo Federal autorizou a criação de linhas especiais de crédito em bancos oficiais, estabelecendo operações com limite de crédito de até R$ 1 milhão e taxa de juros de 5% ao ano segundo o Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013. Para ter acesso à linha de crédito especial o proprietário precisa dispor de projeto elaborado de acordo com padrão do Mapa, documentação legalizada da propriedade rural, e não pode ser inadimplente com a instituição financiadora.
No Maranhão, os principais sistemas produtivos de ABC adotados são ILPF (integração lavoura-pecuária-floresta), Plantio Direto - técnica que minimiza o uso de máquinas pesadas, mantém a umidade do solo e erradica a prática da queimada de pastagem -, sistemas de fixação biológica do solo, plantio de florestas produtivas, tratamento de dejetos animais e recuperação de pastagens degradadas.
Diversas propriedades localizadas nos municípios maranhenses de Peritoró, Fortuna, Colinas, Presidente Dutra, Chapadinha, Açailândia, São Raimundo das Mangabeiras, Imperatriz e Balsas já aderiram ao sistema ILPF e ao Plantio. No sistema Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), por exemplo, as receitas das lavouras e da pecuária tem pago as despesas de implantação da floresta, o que permite ao produtor que mantenha uma "poupança verde", capaz de lhe proporcionar uma renda líquida de aproximadamente R$30 mil por hectare ao longo de nove a dez anos.
"O Programa ABC também é uma das prioridades do Governo do Estado, por meio da Sagrima. É a solução para a atividade agropecuária e para a produção de alimentos no mundo, pois estabelece padrões para uma produção sustentável. Assim, não só atenderá a demanda da população mundial por alimentos, como também garantirá a permanência da disponibilidade desses recursos", avalia o secretário de Agricultura, Cláudio Azevedo.

Plano Estadual
Desde o ano passado, a Sagrima coordena um grupo gestor responsável pela elaboração do Plano Estadual de Agricultura de Baixo Carbono. Integram o comitê gestor, a Federação dos Trabalhadores do Estado do Maranhão (Fetaema), Federação da Agricultura e Pecuária do Maranhão e Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (Faema/Senar), Embrapa Cocais, Agência de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural do Maranhão (Agerp), Agência de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged), Bancos da Amazônia, do Nordeste e do Brasil e as Secretarias de Desenvolvimento Social e Agricultura Familiar (Sedes) e do Meio Ambiente (Sema), Superintendência Federal da Agricultura e Universidade Estadual do Maranhão (Uema).
A conclusão da elaboração do Plano Estadual está prevista para o mês de março deste ano, em uma oficina técnica que acontecerá em São Luís, com a participação de consultores do Mapa, membros do Grupo Gestor Estadual, entidades rurais e ambientais, pesquisadores, professores, técnicos e produtores rurais. O programa perdurará até 2020, tempo previsto pelo governo brasileiro para o cumprimento da meta de redução das emissões de gases que contribuem para o efeito estufa na atmosfera.
Segundo o coordenador do Grupo Gestor Estadual, Luiz Coelho, o programa, desde sua criação, em abril de 2012, já apresentou muitos avanços. "Já realizamos várias reuniões de sensibilização e até um seminário específico para apresentar a importância dessas práticas de agricultura sustentável, que utilizam processos tecnológicos que neutralizam ou minimizam os gases de efeito estufa no campo", afirma Luiz Coelho, que também integra comitiva que participa nesta quarta (23) e quinta-feira (24), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), de oficina para construção da proposta do projeto FIP-ABC, Programa de Investimento Florestal, cujo objetivo é a capacitação de técnicos e produtores e a instalação de unidades de referência sobre as linhas do Programa ABC, especificamente para o Bioma Cerrado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário