domingo, 24 de fevereiro de 2013

Advogado cita prova contra menor e sinalizador comprado em camelô

Ricardo Cabral diz que comparação de foto com vídeo não deixará dúvida de que menor acionou sinalizador, comprado por valor inferior ao mercado

Por Alexandre Lozetti e Alexandre Sinato São Paulo

O advogado da Gaviões da Fiel, Ricardo Cabral, que vai acompanhar o menor H. A. M., de 17 anos, em sua apresentação à Vara da Infância e da Juventude, em Guarulhos, afirmou ao GLOBOESPORTE.COM que tem como provar ter sido o adolescente o responsável por disparar o sinalizador que atingiu e matou o jovem boliviano Kevin Beltrán Espada, de 14 anos, na última quarta-feira, durante o empate entre Corinthians e San José, em Oruro.
De acordo com Cabral, ao comparar uma foto da ficha cadastral de associado do menor com a ampliação da imagem de um vídeo divulgado por uma emissora de televisão boliviana, em que o suposto rapaz que manuseia o artefato é mostrado, ficará provado que trata-se da mesma pessoa.
- A partir do momento em que enviarmos a identidade e a ficha cadastral com foto colorida, não restará nenhuma dúvida. Eu já fiz essa comparação, e não há dúvida - disse Cabral.
Sobre o sinalizador naval que matou Kevin, o advogado disse que ele pode ser facilmente comprado em lojas de embarcações, sem proibições, e citou a região da Rua 25 de Março, principal foco do comércio popular da cidade de São Paulo. Cabral disse que o garoto afirmou ter comprado o objeto de um camelô, o que leva até à possibilidade dele estar com o prazo de validade vencido.
 
Cabral afirmou que nenhum dos sinalizadores pertence a Cleuter Barreto Barros ou Leandro Silva de Oliveira. Eles fazem parte do grupo de 12 torcedores que estão presos na Bolícia, e foram indiciados como autores do crime. Os outros dez são acusados como cúmplices.
- O artefato pertencia ao menor, foi encontrado em uma sacola na arquibancada. Os rapazes que estão lá foram prestar esclarecimento, mas nenhum deles tem nada a ver com isso. O menor disse ter comprado isso de um camelô, por um preço abaixo do valor de mercado. Isso custa entre 120 e 150 reais, mas quando perde validade, chega às mãos dos ambulantes por quinze, vinte reais - afirmou.
O advogado afirmou que não conhecia o adolescente, e não sabe se ele já havia feito alguma viagem internacional com a torcida organizada, mas que H. A. M. frequenta com assiduidade os jogos do Corinthians. Segundo ele, a mãe do garoto só permitiu sua viagem porque se trata de um filho exemplar, que trabalha, estuda, e não tem nenhuma passagem pela polícia.
Cabral foi informado do problema na manhã de quinta-feira, mas não acredita que o fato de a torcida saber da responsabilidade do menor enquanto ele ainda estava na Bolívia, e ter retornado com ele ao Brasil, possa incluir a instituição na acusação, como cúmplice.
- Ele queria se entregar lá, mas nos sentimos responsáveis diretamente pela guarda dele, tememos por sua integridade física. Acho que se nós permitíssemos que ele se entregasse lá, pelo fato de estar com a torcida, isso poderia implicar em alguma sanção.

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