terça-feira, 27 de maio de 2014

De olho nos grandes investidores


Com 80% da sua área inserida na Amazônia Legal, o Maranhão investe na atração de grandes empreendimentos, na criação de distritos industriais e em um programa de formação de fornecedores para descentralizar o desenvolvimento econômico. A ideia é criar novos polos de investimento em todas as regiões do Estado. Dos 217 municípios maranhenses, 183 estão na região. Entre os maiores projetos em operação estão a fábrica da Suzano Papel e Celulose, avaliada em US$ 3 bilhões e inaugurada em março, e o novo Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), no Porto de Itaqui, previsto para funcionar ainda em 2014.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o Produto Interno Bruto (PIB) do Maranhão alcançou R$ 52,1 bilhões, um crescimento de 10,3% em 2011 em relação a 2010, que era de R$ 45,2 bilhões. O dado é o mais recente divulgado pela instituição.
A indústria representou naquele ano, 17,5% do PIB estadual, com uma taxa de crescimento de 8,8%. O resultado coloca a economia maranhense como a 16ª posição no ranking nacional. O PIB per capita, de R$ 7.852, é um dos menores do país, só à frente do Piauí, com R$ 7.835.
De acordo com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Maranhão (Sedinc), dos R$ 115 bilhões em investimentos públicos e privados previstos de 2009 até o primeiro trimestre de 2014, R$ 59,3 bilhões já foram concretizados na implantação de 56 empreendimentos. Desse total, R$ 112 bilhões são investidos na área da Amazônia Legal. "Cem mil empregos diretos foram gerados e ainda temos mais 50 ações em fase de instalação ou em estudo, até 2018", explica Mauricio Macedo, secretário do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
O processo de desenvolvimento do Estado é caracterizado pela diversificação da produção. "Com a existência de gás na região central do Estado, abriu-se espaço para novos negócios nas áreas de geração de energia, fertilizantes e petroquímica", diz. "Temos potencial para gerar energia limpa a partir da biomassa, da força hidráulica e eólica, além da agricultura."
Para reduzir gargalos de infraestrutura, o governo desenvolve um programa rodoviário, que inclui a construção de estradas, e na ampliação de portos. A obra do Anel da Soja, iniciada este ano, interliga quatro rodovias estaduais, totalizando 684 quilômetros, com investimentos de R$ 760 milhões, beneficiando 150 mil habitantes de municípios como Balsas, Riachão e Carolina.

O Estado aguarda a reformulação do porto do Itaqui, considerado o quinto em movimentação entre os terminais públicos nacionais. Com 12 áreas a serem licitadas no terceiro bloco de arrendamentos do governo federal, tem potencial para multiplicar por dez o volume de cargas até 2030, saindo dos atuais 15 milhões para 150 milhões de toneladas. Os investimentos somam R$ 1,3 bilhão e incluem o novo Tegram, com capacidade para movimentar até dez milhões de toneladas, ao ano.
A preocupação com as obras de infraestrutura tem por objetivo atrair empresas dos setores de refino de petróleo, gás natural, papel e celulose, geração de energia, siderurgia, bebidas, ouro, alumínio e logística. A lista inclui a Suzano Papel e Celulose, que inaugurou, no município de Imperatriz, uma fábrica com capacidade para 1,5 milhão de tonelada ao ano, e gerar 25 mil empregos. O investimento é de R$ 5,8 bilhões e já atraiu outros grupos para a região, como a AkzoNobel, de especialidades químicas, que construiu uma unidade avaliada em 80 milhões de euros. A 67 quilômetros dali, na vizinha Açailândia, a Gusa Nordeste, do setor de aciaria e laminação, constrói uma planta de laminados, com capacidade de 600 mil toneladas ao ano, e aporte de R$ 610 milhões.
Em janeiro, o governo inaugurou o Distrito Industrial de Grajaú, a 550 quilômetros de São Luis, com investimentos de R$ 3,9 milhões. O plano é oferecer uma infraestrutura competitiva para a cidade, conhecida como polo gesseiro, e atrair mais investimentos para a região. O município tem uma reserva estimada de 15,3 milhões de toneladas de gipsita. Oito empresas já estão instaladas e mais seis estão interessadas no projeto.
O governo estadual investiu R$ 84 milhões em novos e antigos distritos industriais para promover o desenvolvimento descentralizado - mais da metade dos empreendimentos funcionam fora da capital. A meta é investir, em 2014, mais R$ 44,5 milhões em novos parques empresariais, em cidades como Timon, Caxias e Pinheiro.
Outra ferramenta usada para criar um ambiente de negócios entre as empresas é o Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF), que gerou R$ 3,3 bilhões em contratos, no ano passado. O valor, produzido pelas seis principais mantenedoras da ação - Alumar, Cemar, Ceste, Eneva, Solar e Vale, levou a um crescimento de 17,3% em relação ao ano anterior. O programa foi implantado em 1999, para capacitar micro, pequenas e médias companhias no fornecimento de produtos e serviços
Fonte: Valor Econômico/Jacilio Saraiva | Para o Valor, de São Paulo

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