terça-feira, 3 de março de 2015

Notas comunistas

Bolsa Boquinha: Flávio Dino vai gastar R$ 18,2 milhões com Conselhão
Política

Integrantes garfam verba mensal para participarem de apenas uma reunião. Falta pode ser justificava

Apesar de vender o discurso de terra arrasada desde que sentou na cadeira do Palácio dos Leões, o governador Flávio Dino (PCdoB) vai retirar dos cofres do estado, até 2018, o total de R$ 18,2 milhões para sustentar o novo Conselho de Gestão Estratégica das Políticas Públicas do Governo (Congep), composto com 65 integrantes do primeiro escalão do governo e cargos equivalentes, e reativado em seu primeiro mês de governo.
O casal Lene Rodrigues e Márcio Jerry, empregados e engordados em suas contas bancárias pelo governador-cupido, Flávio Dino
Arquivo Pessoal/Facebook Tem mais é de comemorar O casal Lene Rodrigues e Márcio Jerry, empregados e engordados em suas contas bancárias pelo governador-cupido, Flávio Dino
Criado oficialmente em 2004 pelo ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB), mantido em 2007 pelo ex-governador Jackson Lago (PDT), e alvo de ferrenhas críticas da ex-oposição durante o governo da peemedebista Roseana Sarney, o chamado Conselhão é uma espécie de bolsa boquinha paga a título de jetons a secretários, aliados políticos do interior do estado e ao próprio governador e seu vice, que recebem R$ 5.850 por mês para dar as caras em uma única reunião mensal.
A verba serve apenas para engordar os já gordos salários dos participantes das reuniões do Congep, já que não conta como salário e por isso não entra no limite salarial previsto na Constituição, o teto do servidor, hoje na casa de R$ 29 mil, e não pode sofrer descontos de impostos.
É o caso, por exemplo, do casal Márcio Jerry e Joslene Rodrigues,  respectivamente, secretário de Articulação Política de Assuntos Federativos e chefe de Gabinete do governador.
Membros indispensáveis do Congep, Jerry e Lene, como é mais conhecida, deverão receber mais de meio milhão de reais pela participação no conselho até o final do mandato de Dino, mesmo se faltarem em uma das reuniões que lhes o dá direito à verba.
É que o benefício, que vale para todos os integrantes, pode ser abocanhado de forma bem simples: além de justificar a impossibilidade de comparecimento às reuniões por motivo de doença, o gazeteiro pode ainda usar a desculpa de que estava trabalhando a serviço do Estado.

Flávio Dino descumpre compromisso contra trabalho escravo feito à Conatrae
Política

Governador do Maranhão é o primeiro eleito a descumprir carta-compromisso de combate a esse tipo de crime contra a humanidade

Poucos dias depois de completar apenas dois meses no comando do Palácio dos Leões, o governador Flávio Dino (PCdoB) descumpriu uma das suas principais promessas de campanha, feita diretamente ao principal órgão nacional de combate ao trabalho escravo no país, a Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) - da qual o comunista fez parte como conselheiro, quando juiz federal -, e abrigou nos cofres do estado, com um dos salários mais altos da administração pública, o ex-deputado estadual Camilo de Lellis Carneiro Figueiredo, o Camilo Figueiredo (PR), um dos maiores escravista do município de Codó, tendo inclusive seu nome incluído na ficha suja do trabalho escravo e infantil, em outubro passado.
Cópia da carta-compromisso que Flávio Dino assinou, mas não cumpriu
Repórter Brasil Governo de Todos... os EscravistasCópia da carta-compromisso que Flávio Dino assinou, mas não cumpriu
A nomeação de Camilo Figueiredo para o cargo de Assessor Especial de Apoio Institucional da Subsecretaria da Casa Civil, onde não compareceu até hoje para trabalhar ou sequer bater o ponto, foi assinado por Flávio Dino no dia 11 de fevereiro, e publicada no Diário Oficial do Estado no dia 20 do mesmo mês.
Em Carta-Compromisso endossada pelo comunista no dia 30 de setembro do ano passado, em vez da boquinha dada ao ex-parlamentar, a promessa feita à Conatrae e à Ong Repórter Brasil era completamente contrária: seria prontamente exonerada qualquer pessoa que, ocupando cargo público de confiança sob sua responsabilidade, viesse a se beneficiar desse tipo de mão de obra. Dino é o primeiro eleito, desde que o documento foi elaborado pela Conatrae, no pleito de 2006, a descumprir com o prometido.
- Por fim, asseguro que renunciarei ao meu mandato se for encontrado trabalho escravo sob minha responsabilidade ou se ficar comprovado que alguma vez já utilizei desse expediente no trato com meus empregados. Além disto, garanto que será prontamente exonerada qualquer pessoa que ocupe cargo público de confiança sob minha responsabilidade que vier a se beneficiar desse tipo de mão de obra - prometeu o  governador do Maranhão.
Em março de 2012, Camilo Figueiredo foi flagrado pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) do Maranhão, pelo Ministério Público do Trabalho e pela Polícia Federal escravizando adultos e crianças em uma de suas propriedades, a Fazenda Bonfim, localizada na zona rural do município e pertencente à Líder Agropecuária Ltda.
Assinatura do governador do Maranhão na carta-compromisso feita perante a Conatrae
Repórter Brasil Não vale nada Assinatura do governador do Maranhão na carta-compromisso feita perante a Conatrae
Por submeter os trabalhadores e os filhos destes à condições análogas às de escravos, o novo comissionado do governo Dino - que há pouco tempo respondeu ainda a grave acusação de estupro e exploração de duas adolescentes - teve seu nome incluído no cadastro de empregadores flagrados com mão de obra escrava e infantil, conhecido como a “lista suja”, instrumento mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), que tem sido um dos mais importantes mecanismos de combate a esse crime.

CPT repudia sinecura

Em nota publicada na última sexta-feira (27), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) da diocese de Coroatá repudiou publicamente a nomeação de Camilo Figueiredo pelo comunista.
Na nota, a CPT lembrou que o ex-deputado, um dos latifundiários de Codó, é envolvido em diversos conflitos agrários na região dos Cocais, em especial na Comunidade quilombola de Puraquê, onde homens armados, inclusive com a presença de alguns policiais, tentaram expulsar dezenas de famílias.
- A nomeação do escravocrata Camilo Figueiredo pelo governador Flávio Dino indica com clareza o caráter de seu governo: autoritário, conservador, amparado em estruturas oligárquicas, cujos agentes políticos são envolvidos em práticas criminosas, em especial crime contra a humanidade, conforme afirmou o Papa Francisco em seus comentários sobre a escravidão moderna - diz ainda um dos trechos.

Dinheiro sujo

Não é a primeira vez que o governador do Maranhão tem envolvimento com escravistas. Em 2010, Dino foi bancado em meio milhão de reais oriundos da empresa Alcança Destilaria de Nanuque, cujo controlador é um grupo denunciado por explorar trabalhadores como escravos. O comunista nunca explicou que tipo de relação manteve com o grupo para merecer tal dinheiro.
Em 2014, durante as eleições, Flávio Dino voltou a receber dinheiro sujo, desta vez da gigante OAS, empresa multinacional do ramo da construção civil, que doou próximo de R$ 5 milhões à sua campanha rumo aos Leões, segundo prestação de contas do próprio governador ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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