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segunda-feira, 17 de abril de 2017

A RESSURREIÇÃO MORAL DO SARNEISISMO


Por João Bentivi

Todos os maranhenses sabem que, em minha vida, nunca transigi com a ditadura militar, tampouco com o domínio sarneisista no Maranhão. Com orgulho. Aqui uma constatação: uma parte dos que jogam pedra no Sarney e companhia, agora, só são alguma coisa (se o são) pelas mãos do velho oligarca e são, no mínimo oportunistas, para não afirmar ingratos.

Outro dado por todos conhecidos é o desgaste de toda classe política. Todos pisam em ovos e o freio de mão está na moda estão todos passeando à beira do cadafalso. Basta um empurrão e o abismo se abrirá.
Nesse contexto, no Brasil abre-se um raciocínio, já uma convicção, de que o político não vai ser escolhido por sua inteligência, qualidades administrativas ou coisa similar. O bom político brasileiro deve, simplesmente, não estar citado na Lava Jato. Simplório demais para nos alegrar e real demais para se negar.
O noticiário ficou cansativo, é simplesmente policial e quando se imagina que as surpresas se acabaram, elas estão só começando. Todos se lembram que, no domingo passado, em minha postagem, teci lavados elogios ao governador Flavio Dino por sua postura ilibada e sem senões. Bem não fechei a boca e descubro o jovem governante na Lista do Fachin. Não significa culpabilidade, ainda, mas que chamusca a sua biografia, isso chamusca. Vou continuar acreditando no governador.
Lista publicada e me debrucei sobre a mesma, eivado por minha doentia curiosidade. Sem querer fui me apercebendo de muitos detalhes e uma dúvida atroz abateu-se sobre meus ombros e consciência: onde estão os sarneisistas na lista? Uma lista que albergou o próprio governador Dino, com tão pouco tempo de embocadura no politiquismo, deveria ter o pessoal do Sarney com embocadura longeva de meio século
.
Nada, nada, nada.
O chefe, presidente Sarney, pelo que notei, foi citado tangencialmente por um tal Sergio Machado e duvido muito que tenha alguma consequência relevante. Ora, um sujeito com mais de 80 anos de idade e mais de 60 anos de vida pública, passar praticamente incólume, nesse estreito de Gibraltar da corrupção, tem que ser registrado com registro favorável.
Mas o Sarney, no alto dos seus mais de 80 anos, como disse, pouco tem a responder a justiça, ainda que culpado. A finitude do tempo lhe leva para a absolvição. Voltei-me aos outros expoentes políticos do clã e até me assustei. Notadamente João Alberto, Roseana e Sarney Filho.
O senador João Alberto foi tudo: deputado estadual, federal, prefeito, vice-governador, governador e senador. Não lhe falta currículo e não lhe faltou poder. Ao não recair sobre ele qualquer acusação ou, pelo menos, uma simples dúvida, somos obrigados, eu e você, a carimbá-lo de ficha limpa. Ademais, todos que fazem política nesse estado afirmam algo que faz muito bem a uma biografia política: João Alberto é destemido e um exímio cumpridos de suas palavras.
A senhora Roseana, contra quem escrevi centenas de artigos, descrevendo suas inabilitações e desconformidades, deixou-me em situação pouco confortável: não está citada na Lista do Fachin. A cidadã foi deputada federal e governadora quatro vezes, portanto tempo não lhe faltou para entrar na Lava Jato. Não entrou. A desgosto, tenho que carimbá-la, nesse momento, de ficha limpa.
O ministro Sarney Filho é o caso mais emblemático. Foi o primeiro Sarney que divergi publicamente. Ele se lembra muito bem de um debate no auditório do antigo Colégio MENG: levei a melhor e ele ficou puto e nunca esqueceu a sova.
Entretanto, dentro de minha correção jornalística, tenho que lhe dar todos os créditos merecidos. O primeiro dista já alguns anos. Era secretário de Meio Ambiente, no governo Tadeu Palácio e na Conferência Mundial em Johannesburg, África do Sul, levei São Luís para a conferência, expondo a centenas de organismos internacionais a problemática ambiental da Ilha. A razão de não termos colhidos os dividendos, ainda detalharei, em outra oportunidade.
Mas o que quero relatar se relaciona com o deputado Sarney Filho, que era Ministro de Meio Ambiente do Fernando Henrique. Ao conversar com dezenas de delegações, de diferentes países, ONGs e outras agências, o nome do então ministro Sarney Filho era uma unanimidade, no melhor dos sentidos, com a comunidade internacional. Era impossível falar mal do cara.
Pois bem, esse cidadão é, pela segunda vez, Ministro de Estado, acrescente-se mais de trinta anos de mandato ininterrupto, ser filho de um prócer da república, presidente de partido, líder de bancadas, então se abre a Lista do Fachin e o sujeito não está homenageado. Fica impossível não se destacar o mérito.
Está, pois, estabelecido o inevitável maniqueismo, mesmo nesse mar de incertezas, de constatações inapagáveis e volumosas surpresas. O nosso governador, na primeira infância da política, ainda que eu creia na sua honestidade (e creio) tem que se explicar e está se explicando. É mau. É mal.
O sarneisismo político, ainda que eu quisesse apedrejar, mostra-se ilibado pelas mãos do Fachin e não precisa de explicação. É bom. É bem.
Finalmente, sou muito feliz em ser jornalista e estou plenamente feliz com esse artigo. As minhas escolhas políticas jamais poderão obscurecer a minha consciência.
Viva a liberdade de consciência.
FAST NEWS :
É difícil encontrar um sujeito mais cara de pau, escroto, quanto esse Lula da Silva. Ao gabar-se de ser o brasileiro mais honesto do Brasil, soube que desagradou muito ao Fernandinho Beira Mar e ao senhor Marcola.
Depois constitui-se como um mau bandido. O bom bandido não dedura seus companheiros. Ao dizer que quem recebeu dinheiro em seu nome deveria ser preso, está deixando Palocci e Mantega em situação perigosa.
Mas o pior é ser uma péssimo irmão. Disse que nunca pediu nada e a ninguém para o frei Chico, aí, o tal frei Chico, irmão de Lula, liso todo, muito puto com o irmão rico, que não o ajudava, foi a uma tal Odebrecht, invadiu-a, deu uma porrada no tal Marcelo, obrigando-o a lhe dar uma mesada, de cinco mil por mês, por anos a fio. Nessa versão, Lula está afirmando que seu irmão, frei Chico, é um bandido.
Finalmente mesmo, será o Lula da Silva acreditar que alguma pessoa com um mínimo de bom senso acreditaria nele. Alguém pode dizer: o pessoal do PT acredita! Tudo bem, para ser um bom petista, ou tem falta a de senso ou deve estar na cadeia. É só uma escolha.

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