quarta-feira, 26 de abril de 2017

Oportunidade de debate e integração das ações de prevenção às drogas e tratamento é aprovada por profissionais


O Governo do Estado, como sujeito de intervenção nas políticas públicas, tem um papel importante no sentido de construir alternativas para a problemática da prevenção, tratamento e redução do uso de drogas. Com essa compreensão, e em parceria com movimentos sociais, realizou nesta última segunda-feira (24), o Seminário Estadual de Políticas Públicas Sobre Drogas.

O evento, que concentrou esforços de nove Secretarias de Estado e que reuniu mais de 300 profissionais da área e representantes da sociedade civil, teve como objetivo a integração de representantes das instituições e organizações sociais, estudiosos e pesquisadores sobre a temática para contribuírem na elaboração de diretrizes para a Politica Estadual sobre Drogas, no Maranhão.

Dentre a programação, três palestras mostraram experiências exitosas de outros Estados: ‘Política Nacional de Drogas: Saúde, Segurança Pública e Direitos Humanos’, com Guilherme Portugal (MG); ‘A Experiência do Programa Braços Abertos do Município de São Paulo’, com Teresa Endo (SP); e ‘O Processo de Desinstitucionalização e a Importância da Rede de Atenção Psicossocial’, com a médica Myres Cavalcante (SP).

Para a psicóloga Teresa Endo, que trabalhou no programa ‘Braços Abertos’ de São Paulo deste o início, a maior contribuição que o programa mostrou foi a integração de várias instituições e serviços. “Uma secretaria sozinha não consegue fazer nada. Precisa ter, necessariamente, a integração de vários setores da comunidade, do que já existe de experiência local. Não é necessário ter um Caps ad, por exemplo, para que os serviços funcionem na sua área. Temos as igrejas, e outras instituições que já fazem muitas coisas para essa população menos assistida e que não tem acesso a nenhum direito. Às vezes a departamentalização extrema acaba dificultando, criando um sujeito ideal para a sua área, que não existe”, destacou Teresa Endo.

Andressa da Silva, psicóloga da Força Estadual de Saúde do Maranhão (Fesma), da equipe de Serrano do Maranhão, classificou a experiência de participar do seminário como enriquecedora. “Acredito que pudemos perceber, através das experiências dos palestrantes, o quando o trabalho é árduo e que se constrói a cada dia. Portanto, pensar o contexto dos nossos pacientes significa  pensar  o território no qual estão inseridos. E assim é que se faz saúde. O seminário foi rico dessas experiências e nos indicou alguns caminhos a seguir aqui no Estado”, explicou a profissional da Fesma.

Já a assistente social da Fundação da Criança e do Adolescente do Maranhão (Funac), Conceição Coimbra, contou que as palestras e grupos de trabalho foram bastante proveitosos. “Gostei muito do evento, principalmente das palestras. Os grupos de trabalho, para planejar as ações da política, foram muito bem pensados. No grupo que participei, o fato de ter alguém da política de drogas do departamento de saúde do Estado ajudou muito a definir as ações”, finalizou Conceição.

Lançamento de Livro
No final do seminário houve o lançamento do livro ‘Sofrimento Psíquico à Margem do SUS – Vastidão e Confinamento na Clínica’, de autoria da palestrante Teresa Endo, que fala sobre o atendimento clínico no Sistema Único de Saúde (SUS) em clínicas que tratam de dependência de drogas e outros psicoativos, numa abordagem que possa orientar as práticas clínicas, permitindo uma reflexão analítica mais ampla.

O livro também critica a forma como os usuários de saúde mental são vistos, como se fossem marginais do ponto de vista do sistema de direitos, e que ainda são mantidos dentro das paredes de confinamento oficial da insanidade, banidos da sociedade. Segundo a autora, para quem está do lado de fora das paredes, é evidente a urgência em saber mais sobre a função desta situação clínica, seus fundamentos e pressupostos básicos.

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