sexta-feira, 2 de março de 2018

Madeira avalia que recuo de Roberto Rocha em favor de Braide seria desconsideração com Alckmin

Publicado originalmente na edição do Jornal Pequeno desta quinta-feira, 1.

UM PROJETO DO BRASIL E DO MARANHÃO
por Sebastião Madeira
Um texto assinado pelo poeta, cronista e ex-deputado Joaquim Haickel incendiou a imaginação política de muita gente no nosso Maranhão, tão carente de ideias. Em respeito ao esforço analítico e a evidente boa-fé do artigo, me permito fazer algumas breves considerações.
Afirma Joaquim Haickel que o PSDB é o coringa da eleição deste ano, desde que se confirme a candidatura de Roseana Sarney. Baseia-se ele em cálculo de probabilidades que daria em torno de 25% a Roseana, cerca de 10% aos candidatos Maura Jorge, Ricardo Murad, somados aos candidatos menores de esquerda, cabendo a um outro candidato, que ele vislumbra ser Eduardo Braide, um balaio de votos entre 20 e 25%, podendo até mesmo levá-lo ao segundo turno.
Esse cenário dependeria de um gesto de desprendimento e grandeza do senador Roberto Rocha, cedendo sua candidatura e a legenda para o jovem deputado Eduardo Braide.
Neste ponto o Joaquim Haickel político cede ao poeta e pede aos leitores que “imaginem” todas as forças da oposição ao atual governo unidas, concluindo com uma exortação, em tom grandiloquente, para que Roberto Rocha aja como um “verdadeiro líder” capaz de “abrir mão de um projeto pessoal em nome de um projeto coletivo”.
Em nenhum momento do artigo Joaquim apresenta sequer uma premissa lógica que justifique porque a retirada de uma candidatura da oposição, ao invés de a enfraquecer, a fortalece. Parece ele se basear em duas premissas não explicitadas: a primeira é de que o surpreendente desempenho de Braide na eleição municipal possa ser replicado na eleição estadual. Como se as circunstâncias daquele pleito, enfrentando um prefeito com ampla rejeição e adversários inexperientes para o embate na mídia, fosse novamente se oferecer magicamente ao candidato.
A outra premissa é a de que os números até aqui apontados nas pesquisas prenunciem uma tendência, quando na verdade eles mostram um recall, muito natural, de um voto concentrado justamente onde houve, há menos de dois anos, uma superexposição do candidato Eduardo Braide.
Acima de tudo, é preciso deixar claro que a candidatura de Roberto Rocha não é um projeto pessoal, mas faz parte de um projeto nacional do partido, para o qual o senador Roberto Rocha diligentemente vem construindo um campo político, em torno do qual figuram compromissos dentro e fora do Maranhão.
Para tal projeto, é bom lembrar que o governador Geraldo Alckmin e a cúpula partidária foram pessoalmente ao gabinete do senador, em Brasília, onde lhe fizeram o convite para ingressar no PSDB, com vistas justamente a contar com um amigo e interlocutor para fortalecer sua mensagem no Maranhão. Refluir desse compromisso seria, antes de tudo, um gesto de desconsideração e descortesia.
O PSDB faz votos para que Eduardo Braide se some às forças oposicionistas mas acredita fortemente que o PSDB e o senador Roberto Rocha trarão à campanha eleitoral uma mensagem de valores, de olhos postos para o futuro.
Por fim, esclareço que o senador se encontra afastado do debate político, para atender grave emergência familiar. Penso que este artigo traduz, também, o seu pensamento sobre o assunto.

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