sexta-feira, 12 de outubro de 2018

É PRECISO DEFENDER ELIZIANE!

Sim, é preciso escrever sobre Eliziane Gama, senadora eleita pelo Maranhão. E defendê-la!
E faço esta defesa sem medo de ser agredida ou criticada por covardes que se escondem por detrás das teclas frias de um computador. Prefiro seguir sempre o ensinamento de Luther King: “o que me preocupa não é o grito dos maus, e sim, o silêncio dos bons”.
Eliziane sofreu a mais baixa e violenta ação difamatória desta campanha eleitoral. A sua ousadia de pleitear o cargo de Senadora da República, desde o primeiro instante, se tornou uma ameaça ao ‘status quo’ há décadas instalado no poder político deste estado. Nem a sua família foi poupada dos ataques. Ela lutou, resistiu com bravura e foi eleita.
Mas, os ataques agressivos continuam após a eleição. Ferem e machucam muito mais agora. Os petardos contra ela, disparados em forma de áudio, posts em redes sociais, e ameaças veladas, partem exatamente de onde ela menos esperava: dos seus irmãos de fé, membros da sua igreja.
E qual o motivo para tanta agressividade? Em coletiva de imprensa, após a eleição, ao lado do governador Flávio Dino, Eliziane declarou o seu apoio ao candidato Fernando Haddad. Eis o motivo.
Mas, como assim, ficaram revoltados por que? Por acaso achavam mesmo que Elizane apoiaria o outro candidato, aquele que defende torturador?
Como Eliziane poderia apoiar o candidato que disse não estuprar uma mulher por ela ser feia? O mesmo que afirmou que única coisa boa do Maranhão é o presídio de Pedrinhas. Que em entrevistas demonstra ódio por homossexuais, quilombolas, negros e índios. Aquele que disse ter usado apartamento pago com recurso público para a prática de orgias sexuais (e não venham com mimimi, porque ‘comer gente’, na linguagem chula dele, é isso mesmo, tá?).
Como Eliziane Gama poderia apoiar o candidato que ensina crianças a usar armas, que admira o maior torturador da história do Brasil e tem fascínio por Hitler, responsável pelo maior genocídio ocorrido no mundo? Como ela poderia ficar ao lado de um ditador fascista que prega tantas atrocidades?
E sabem por que Eliziane não declarou apoio ao candidato da maldade, e sim ao Haddad? Porque toda a sua trajetória política - e também sua vida - foi pautada na defesa dos direitos humanos. Isso mesmo, a defesa dessas mesmas minorias que o candidato do ódio e seus seguidores querem expurgar, aniquilar a existência.
Na condição de assessora de imprensa da Assembleia Legislativa do Maranhão por 27 anos, tive e tenho a oportunidade de acompanhar, de perto, a atuação parlamentar dos deputados. E um deles foi Eliziane. Presenciei, em seus dois mandatos, atitudes corajosas que me fizeram admirá-la. Relato algumas:
Em 2009, presidindo a CPI da Pedofilia, Eliziane seguiu para Açailândia, um dos municípios, à época, com maior incidência de denúncias de abuso e exploração sexual infantil. Eu estava cobrindo a CPI. No banco dos réus, sentaram homens poderosos da região e ela enfrentava, sem medo, todos eles.
Os relatos das testemunhas eram estarrecedores. Meninas virgens leiloadas em orgias sexuais. Passamos dias, noites e até madrugadas ouvindo depoimentos de adolescentes encapuzadas, sob forte proteção policial. Eliziane sofreu ameaças, inclusive à sua integridade física, na tentativa dos poderosos barrarem a CPI. E ela não se intimidou.
Na última noite, já estávamos prontos para entrar no ônibus de volta a São Luís, Eliziane nos avisa que precisava retirar, urgente, de Açailândia, uma das testemunhas chaves que havia declinado todos os nomes dos poderosos que abusavam de crianças e adolescentes. Ela saiu e voltou de braços dados com um rapaz magrinho, amedrontado, que pelo porte físico aparentava ter uns 16 anos. O rapaz usava um capuz preto cobrindo-lhe a cabeça e o rosto.
Elizane passou a viagem toda, de Açailândia para São Luís, ao lado da testemunha, tentando acalmá-la. Foi uma madrugada longa, todos acordados com medo do ônibus ser interceptado na estrada. E ela ao nosso lado, nos dando coragem. A deputada salvou a vida daquele garoto, colocando-o no Programa de Proteção à Testemunha, o Provita.
E foram muitas as atitudes corajosas de Eliziane, que presenciei enquanto ela era deputada estadual, na defesa dessas mesmas minorias que o candidato da maldade quer exterminar. E ela defendeu com bravura.
Presenciei a coragem de Elizane quando da morte da garota Tamires, de 19 anos, em Porto Franco.Tamires foi presa por desacato a dois policiais, durante uma festa de carnaval. Levada para a delegacia, foi abusada sexualmente e espancada, segundo relato de testemunhas e laudo pericial. Na manhã seguinte, amanheceu morta, pendurada em uma corda da delegacia. A polícia disse que foi suicídio.
Elizane levou a Comissão de Direitos Humanos a Porto Franco, participou de passeata ao lado da população e enfrentou a força do sistema de segurança da época. Foi rígida na cobrança da apuração da morte e punição dos policiais.
Em seus dois mandatos, Eliziane visitou penitenciária e delegacias do Maranhão e cobrou do governo tratamento humanizado ao sistema prisional. Ela denunciou, bravamente, o assassinato da trabalhadora rural e líder quilombola Francisca, barbaramente espancada até a morte, supostamente por jagunços de fazendeiros.
Também clamou pela apuração da morte do índio Kaapor, alvejado com dois tiros de espingarda nas costas. Elizane foi ao território Gamela, em Viana, prestar solidariedade aos 13 índios agredidos com paus, facão e tiros de espingarda na luta pela demarcação do seu território.
Eu e me emocionei ao assistir, em 2015, pela TV, ao pronunciamento de Eliziane, na Câmara Federal, quando do assassinato da menina Maysa, no interior do Maranhão. A garotinha de 7 anos foi estuprada e estrangulada dentro de um matagal. Quando populares a encontraram, pela manhã, a menina ainda agonizava. A primeira iniciativa dos que acharam a criança não foi abraçar ou cobrir o seu corpinho despido. E sim, fazer vídeos da menina nua, tremendo no chão. E esta brutalidade foi espalhada nas redes sociais.
Quem, em Brasília, iria se importar em denunciar ao Brasil e ao mundo a barbaridade praticada contra uma criança pobre do interior do Maranhão? Eliziane Gama se importou e bradou alto, clamando por justiça para Maysa.
Então, senhores e senhoras, por tudo o que significa a trajetória de Eliziane Gama e o seu compromisso em defesa da vida dos mais humildes, já está na hora de cessarem esses ataques injustos e absurdos. Devemos, sim, nos orgulhar dela, a nossa Senadora do Maranhão.
E, fiquem sabendo, de uma vez por todas: quem sempre esteve na defesa das minorias e dos direitos da dignidade da pessoa humana JAMAIS apoiará um candidato que prega o ódio e a violência. Mesmo porque apoiar um candidato que demonstra tanta repugnância pelos mais humildes não é atitude de um verdadeiro cristão.
Já está na hora dos que agridem Eliziane darem um basta nisso e passarem a demonstrar que, verdadeiramente, são fiéis aos ensinamentos bíblicos. E deveriam começar praticando exatamente aquilo que nos ensinou o próprio Jesus Cristo: “amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.
Não à intolerância!
Não ao ódio!
#HaddadSim

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