sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Primeiro deputado cego, Felipe Rigoni defende combate à corrupção e inclusão de pessoas com deficiência



O deputado eleito se reuniu nesta quinta-feira (18) com representantes de áreas técnicas da Câmara para verificar eventuais necessidades de adaptação da estrutura da Casa para que possa exercer plenamente seu mandato
Divulgação/Facebook
Deputados D - F - Felipe Rigoni
Felipe Rigoni quer maior interação com cidadãos para garantir decisões melhores e mais eficientes
Felipe Rigoni (PSB-ES) é capixaba de Linhares, tem 27 anos e, em 7 de outubro, recebeu mais de 84 mil votos, a segunda maior votação para deputado federal no Espírito Santo. Primeiro deputado federal cego, ele disse que terá mandato interativo com a população, com foco no combate à corrupção governamental e na inclusão das pessoas com deficiência.
A cegueira total veio aos 15 anos de idade, após várias cirurgias para conter uma inflamação ocular chamada uveíte, detectada ainda na infância. Rigoni conta que, depois de uma difícil adaptação à nova realidade, percebeu que sua independência só viria por meio da educação. Formou-se em engenharia de produção pela Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais, e fez mestrado em políticas públicas na Universidade de Oxford, na Inglaterra. Também já foi líder estudantil e do movimento de empresas juniores.
Em 2016, Rigoni perdeu a eleição para vereador de Linhares, mas agora chega à Câmara dos Deputados, depois de ter passado pela organização não governamental RenovaBR, movimento de apoio à formação de novas lideranças políticas.
Interação
Felipe Rigoni afirma que sua eleição foi resultado do trabalho de mais de 2 mil voluntários que o ajudaram nas campanhas de rua e pelas redes sociais.
"Eu vou ter um mandato compartilhado e um conselho parlamentar, com pessoas da sociedade civil e especialistas. Também vou ter um aplicativo de interação direta com a população capixaba, para a qual fui eleito para representar”, declarou.
O deputado eleito diz que terá três grandes linhas de atuação: a eficiência do governo, com combate à corrupção, transparência e participação popular para garantir decisões melhores e mais eficientes; a educação básica, com enfoque na inclusão e na diversidade, por conta de sua deficiência e das necessidades das pessoas com deficiência e de outras minorias; e o fortalecimento da economia.
Acessibilidade na Câmara
Rigoni se reuniu nesta quinta-feira (18) com representantes de áreas técnicas da Câmara dos Deputados para garantir uma atuação parlamentar eficiente desde a posse, prevista para 1° de fevereiro de 2019.
Algumas readequações na estrutura da Casa e nas tecnologias assistivas já disponíveis vinham sendo articuladas, mas a coordenadora de acessibilidade da Câmara, Adriana Januzzi, citou o lema da Convenção sobre Direitos da Pessoa com Deficiência – "nada sobre nós sem nós" – para ressaltar a necessidade de uma conversa direta com o deputado eleito em busca da superação de demandas específicas.
“Teremos que adaptar alguns sistemas para fazer a conexão com o software de leitura de tela que ele usa. Vamos trabalhar a colocação de piso tátil e mapas táteis em alguns locais. E estamos trabalhando em um projeto de GPS interno – que funciona por bluetooth – e que também vai ajudar muito na locomoção e na mobilidade das pessoas. A gente já tem placas de sinalização em braile, e o nosso site é acessível. Desde 2004, atuamos para que os ambientes, produtos, serviços e informações da Câmara dos Deputados sejam acessíveis a pessoas com todos os tipos de deficiência", disse Adriana Januzzi.
Felipe Rigoni terá direito a apartamento funcional e a gabinete parlamentar adaptados para cego e também acessíveis a pessoas com outros tipos de deficiência que quiserem entrar em contato com ele.
Inclusão
Além de receber visitas de deficientes visuais diariamente, a Câmara dos Deputados tem, atualmente, dois servidores e um estagiário cegos, além de vários outros funcionários com baixa visão.
Recentemente, a Casa teve três deputados cadeirantes – Walter Tosta, Rosinha da Adefal e Mara Gabrilli (PSDB-SP), que ainda é deputada. Nos últimos anos, a Câmara tem ampliado a instalação de rampas, elevadores adaptados e triciclos motorizados nas portarias. Vigilantes, brigadistas e atendentes dos restaurantes e lanchonetes passam por capacitações frequentes. 

A TV Câmara conta com linguagem de libras e legendas em tempo real para surdos. E nos plenários das comissões, a tecnologia assistiva de aro magnético facilita a comunicação dos usuários de aparelhos auditivos.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Pierre Triboli

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