sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Índios na cidade: 12 famílias vivem em área urbana de Imperatriz


Em situação precária e com dificuldades de produzir alimentos, indígenas pedem apoio do município e da comunidade em geral
Mariana Castro - ASSIMP


Foto: Mariana Castro/Fábio Barbosa
            O intenso desmatamento e o avanço das cidades sobre as matas são alguns dos motivos que tem gerado um fenômeno de êxodo de famílias indígenas para as cidades em todo o Brasil. Em Imperatriz, 12 famílias da etnia Guajajara vivem no bairro Parque Amazonas, em um terreno cedido pela Universidade Federal do Maranhão.
             A pedido do gabinete do vereador Aurélio, o Coordenador Regional da FUNAI, Guaraci Mendes participou nesta quinta-feira (22) de uma Tribuna Popular na Câmara Municipal em que explicou a situação e pediu apoio aos legisladores no sentido de propor políticas públicas que favoreçam a sobrevivência e independência dessas famílias.
            Guaraci explica que “há 50 anos atrás, na época da criação do Estatuto do Índio, não foi previsto a migração dos índios ao contexto urbano, e por isso a FUNAI não tem previsão orçamentária para atender indígenas no contexto urbano”. Dessa forma, eles dependem de políticas públicas municipais e estaduais, como qualquer outro munícipe. 
            “Pedimos apoio do poder legislativo e executivo para que possamos dar assistência aos indígenas, que estão desassistidos em relação à saúde, educação e infraestrutura e que sejam viabilizados projetos de fomento às atividades produtivas dos indígenas da região”, apela Guaraci.  
            O vereador Fábio Hernandez sugeriu que, junto ao Ministério Público, seja viabilizado o acesso dos indígenas a programas federais e cuidados da Previdência Social, a exemplo do que já acontece no Rio Grande do Sul.
            De acordo com a liderança indígena Badu, os índios querem trabalhar e tirar o seu sustento da natureza, como sempre fizeram. Inclusive na área já são produzidos alguns alimentos, tais como feijão, milho e mandioca, da qual produzem também farinha. Além dos alimentos, vendem o tradicional artesanato.
            No entanto, a terra é pequena para atender a todos e o acesso a outros serviços é muito precário. “Aqui nós vivemos do nosso trabalho, mas tem pouca terra. A gente queria também saúde e educação, e que fosse uma escola indígena, para a gente manter nossa tradição, nossa língua”, lamenta Badu. 


            O vereador Aurélio agendou uma visita ao local, que deve dar margem a indicações e projetos a fim de viabilizar melhorias na condição de vida dessas famílias. “Podem contar com o nosso apoio. Inicialmente vamos visitar o local com o apoio das lideranças e, depois, junto aos órgãos competentes vamos avaliar a melhor forma de atender às suas necessidades”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário