segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Campanha Janeiro Branco é lançada em Imperatriz

PREVENÇÃO

Evento foi realizado na Praça da Viola

por Kalyne Cunha

O mês de prevenção aos cuidados da Saúde Mental têm ações intensificadas por meio da campanha mundial, Janeiro Branco. O conjunto de atividades segue com o tema, Quem Cuida Ama e tem objetivo de mostrar à população a importância dos cuidados preventivos, por meio dos Centros de Atenção Psicossocial, CAPS. A abertura da campanha, realizada na manhã de sexta-feira, 10, na Praça da Viola, em frente ao Complexo de Saúde do Parque Anhanguera contou com a participação de representantes da Policia Militar do Maranhão, do 50º Batalhão de Infantaria de Selva e sociedade civil.
Os serviços ofertados à população foram testes de glicemia, aferição da pressão arterial, atualização vacinal, atendimento com médico psiquiatra e psicólogo e palestras educativas. O evento contou ainda com a apresentação do coral do Cras Bacuri, atividade física e serviços na área de beleza.
A campanha é uma forma de sensibilizar instituições sociais, públicas e privadas, sobre a importância de iniciativas que visam valorizar e atender as demandas relacionadas ao universo da Saúde Mental. O responsável pela Secretaria Municipal de Saúde, Ely Samuel, esclarece que, “as ações de prevenção e promoção da saúde mental são realizadas durante todo o ano, mas em janeiro ganham uma visibilidade maior. Por entender a grandiosidade da campanha do Janeiro Branco,  a gestão do prefeito Assis Ramos, disponibiliza atendimentos à população por meio do CAPS, Ambulatório de Saúde Mental, UPA e Unidades Básicas de Saúde (UBS)”.
A tristeza e angústia são sentimentos cada vez mais presentes na população, são até normais, mas quando começam a afetar a qualidade de vida é um alerta indicativo de que a saúde não vai bem e precisa de cuidados, como explica a coordenadora da Saúde Mental do município, Kátia Carvalho. “As pessoas demoram a perceber que estão doentes e demoram mais ainda a procurar ajuda. É preciso vencer o preconceito e falar sobre as dores emocionais, buscando os cuidados necessários em uma rede especializada em saúde”, enfatiza.
Sobre os serviços de estética ofertados pelo Instituto Embelleze na campanha, o representante da instituição, Jean Freitas, explica que, “a beleza ajuda na saúde mental, quando nos sentimos bonitos, vivos, a nossa mente acaba trabalhando melhor. A beleza está de mãos dadas com a saúde mental. Quando você se olha no espelho e você se agrada, isso te traz satisfação, alegria de viver. Estamos muito felizes em participar desse evento, de contribuir com a nossa sociedade para que haja uma melhora na saúde mental da população em geral”. 
A usuária dos serviços do CAPS, Raydana de Sousa Silva, técnica de enfermagem, 31 anos, relata sua trajetória de vida até a descoberta da depressão. “Aos 16 anos tive meu primeiro episódio depressivo, na época os serviços de saúde mental do município não eram tão divulgados como atualmente, eram restritos e as pessoas quando podiam optavam por meios particulares”.
Mesmo com o quadro relatado, a jovem só começou o tratamento muitos anos depois e foi obrigada a interromper por questões financeiras.
“Há dois anos comecei o meu tratamento no CAPS com psicólogo e psiquiatra e o uso de medicação, mas ainda não havia sido acolhida. Após uma crise forte e ficar sem medicação, por questões financeiras, durante 3 meses, optei em não procurar os serviços da instituição, o que agravou o meu quadro. Fui diagnosticada com depressão e ansiedade, mas nem sempre são associadas”.  É relevante ressaltar que a  medicação receitada pelo médico é adquirida de graça na Central de Abastecimento Farmacêutico, CAF, localizada no Complexo de Saúde dos Três Poderes. Para os pacientes acolhidos, a medicação é fornecida pela instituição.
Apesar do trabalho de conscientização realizado pela Prefeitura de Imperatriz, por meio da Rede de Saúde Mental do Município, o preconceito ainda é grande como relata Raydana. “Vim só buscar os serviços, porque as pessoas estavam me chamando de louca, pois eu me mutilava. Busquei a resposta direto com o médico”.
De acordo com o médico psiquiatra da rede de Saúde Mental do município, Felipe Nóbrega, “é importante desmistificar o preconceito com os psiquiatras e os psicólogos, ao contrário do que pensam, tratamos problemas comuns em nossa sociedade como: estresse, traumas, depressão, ansiedade, surtos psicóticos, transtorno bipolar, esquizofrenia. Nós psiquiatras somos médicos como qualquer outro e cuidamos da saúde mental, tão importante como as outras doenças orgânicas, químicas e físicas".
Na palestra, a coordenadora do ambulatório da Saúde Mental, psicóloga Miriam Lima, destacou alguns dados levantados pela Organização Mundial de Saúde, OMS. “Todos nós profissionais da saúde somos preocupados com o comprometimento da saúde mental do nosso município. Desde 2000, a Organização Mundial de Saúde vem insistentemente alertando a humanidade sobre o crescimento alarmante das taxas de suicídio, depressão e ansiedade em todo mundo que se agravaram ainda mais século XXI, pois as pessoas optaram pelo suicídio como nunca antes da história da humanidade”. 
A coordenadora da Vigilância em Saúde, Giselly Vieira Gomes, explica que “a prática de prevenção tem que ser feita todos os dias. Ao chegar em casa do trabalho é preciso descansar a mente, mas na maioria das vezes o trabalho não sai da nossa cabeça. O mês do Janeiro Branco é importante para nos fazer lembrar que somos importantes. A nossa mente que controla o nosso corpo, as nossas atitudes, vontades e precisamos cuidar disso”.
De acordo com psiquiatra Felipe Nóbrega, os tipos de crise mais atendidas na rede de saúde municipal são: “surtos psicóticos, ataques de pânico, como angústia no peito, tristeza intensa, ansiedade intensa sem motivo, estresse, sobrecarga de trabalho, agitação psicomotora”. De acordo com o psiquiatra, existem também fatores externos que influenciam tornando os quadros mais agravantes.
Sobre os cuidados com a saúde emocional, Felipe Nóbrega pontua que a prevenção ainda é o melhor a se fazer. “É importante procurar um dos dispositivos do município para que não venha ocorrer nenhum transtorno psiquiátrico”.
Atendimento
Para atendimento na rede de saúde mental do município, basta o usuário apresentar documento de identidade com foto, cartão do Sistema Único de Saúde, Sus, e um comprovante de endereço.
O médico explica que os serviços são realizados por meio de triagem. “Inicialmente o paciente é atendido por um psicólogo e se necessitar ele encaminhará o paciente ao médico psiquiatra, ou o paciente pode procurar diretamente o psiquiatra que avaliará o paciente para saber se precisará ou não do uso de medicação associado ou não. A psicoterapia é utilizada em casos leves". 
Saiba onde encontrar uma unidade do CAPS
CAPS AD III Álcool e Drogas – CAPS AD Girassol
O atendimento é realizado para pessoas com transtornos decorrentes do uso de substâncias psicoativas, álcool e drogas, e também de seus familiares.
Horário de funcionamento: 24 horas.
Faixa etária: todas as faixas.
Acolhimento noturno e observação: 8 a 12 vagas.
Endereço:  Rua Projetada B, Complexo de Saúde, Parque Anhanguera.
CAPS III - Renascer
A unidade atende pessoas com transtornos mentais persistentes, inclusive pelo uso de substâncias psicoativas e seus familiares.
Horário de funcionamento: 24 horas.
Acolhimento noturno e observação: 8 vagas.
Faixa etária: todas as faixas.
Endereço: Rua Projetada B, Complexo de Saúde, Parque Anhanguera.
CAPS Infanto Juvenil
Atende crianças e adolescentes com transtornos mentais graves e persistentes, inclusive pelo uso de substâncias psicoativas.
Horário de funcionamento: 8 às 18h.
Faixa etária: crianças e adolescentes.
Endereço: Rua Itamar Guará, Nº 2223, Três Poderes.

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